Infecção

A infecção é um problema grave para o processo de cicatrização, pois resulta em atraso no tratamento, dor para o paciente, aumento do período de internação e custos adicionais. Há ainda o risco de bacteremia, choque séptico, falência múltipla dos órgãos e morte.

Feridas crônicas e agudas apresentam risco de infecção. Pacientes portadores de doenças vasculares tem seu fluxo sangüíneo alterado, principalmente nas extremidades inferiores. Uma patologia vascular básica produz uma hipóxia relativamente pequena que contribui para o atraso na cicatrização e favorece a infecção.

Pacientes diabéticos apresentam risco de úlceras de pé infectadas devido ao alto índice de glicose, neuropatias e baixo volume de sangue circulante.

A capacidade de controlar a infecção em uma ferida está relacionada com o correto entendimento de alguns conceitos, como: contaminação, colonização e infecção.

CONTAMINAÇÃO é a presença de microorganismos na superfície da ferida. Os contaminantes em si não são visíveis e não exigem uma resposta do organismo.

Quando há multiplicação dos contaminantes na superfície dos tecidos a ferida pode ser considerada COLONIZADA. Os microorganismos que colonizam a ferida não contribuem para sua cronicidade e apenas ocasionalmente os mesmos organismos que colonizam a ferida são os causadores de infecções.

Quando os microorganismos invadem os tecidos a ferida está INFECTADA.

Geralmente, os sinais de infecção são inflamação local, pus e exsudato. Se os organismos são gram-negativos um mal odor geralmente ocorrerá. Febre e leucocitose podem estar presentes.

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Os principais motivos pelos quais os microorganismos afetam a cicatrização são os mecanismos de competição que se estabelecem com a infecção. Microorganismos presentes nos tecidos se alimentam de nutrientes e oxigênio que seriam dispendidos no processo de reparo.

A presença de material necrótico e de crostas aumentam o efeito deletério dos microorganismos, uma vez que tecidos mortos proporcionam um meio para o crescimento dos microorganismos.

Uma ferida não cicatriza enquanto a infecção não for erradicada. Deste modo o alvo do tratamento deve ser a morte dos microorganismos sem causar danos aos tecidos saudáveis.

O tratamento pode ser local ou sistêmico.

O desbridamento é a ferramenta mais importante do tratamento local, pois remove tecidos mortos e corpos estranhos. O desbridamento ainda consegue alterar o status de uma ferida de crônico para agudo, pois estimula novamente o processo inflamatório essencial para a cicatrização.

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Uma terapia auxiliar de alta eficácia consiste no emprego de carvão ativado no tratamento dessas feridas.

Antibióticos são empregados quando existe uma resposta sistêmica à infecção, como leucocitose ou febre, ou ainda quando há risco de bacteremia, osteomielite ou sepse. Quando há o uso dos antibióticos, é imprescindível manter a concentração sanguínea para que o efeito da terapia seja alcançado. Isso significa que a hora de administração do medicamento é crítica, e deve ser observada com grande atenção.

Outras terapias sistêmicas são importantes no controle da infecção, como aquelas que tem o foco na manutenção do aporte sanguíneo para a ferida. Uma perfusão adequada é necessária para que macrófagos e linfócitos cheguem até a área. Isso significa que o volume intravascular precisa ser mantido através da administração oral ou intravenosa de líquidos.