Limpeza

Conceitos: desbridamento é o processo de remoção de tecidos desvitalizados, necróticos e de corpos estranhos do leito da ferida.

Objetivo: acelerar o processo de cicatrização. Feridas que contêm tecidos desvitalizados ou necróticos levam muito tempo para cicatrizar. O tecido necrótico pode esconder bolsas de pus chamadas abscessos, as quais podem culminar em infecções generalizadas, gerando amputações ou óbitos.

Precauções: nem toda ferida necessita ser desbridada. Às vezes é preferível deixar uma crosta de tecido morto (chamada escara) à removê-la criando uma ferida aberta, particularmente se a escara está estável e a ferida não está inflamada. Antes de efetuar o desbridamento, o corpo clínico deve fazer uma anamnese completa, atentando para fatores que podem complicar a cicatrização, como o suprimento sanguíneo no local da lesão, por exemplo. Alguns profissionais preferem não desbridar úlceras em pés de pacientes diabéticos, pois o aporte sanguíneo nestes casos é muito prejudicado.

Descrição: no desbridamento o tecido indesejado é removido até que reste apenas tecido viável no leito da ferida. Tecidos mortos expostos ao ar formarão uma crosta preta (escara). Tecidos desvitalizados em meio úmido podem ter aparência branca, amarela ou levemente amarelada.

Técnicas de desbridamento:

  1. Desbridamento cirúrgico: é realizado pelo médico, que utiliza bisturis, tesouras ou outros instrumentos cortantes para remover o tecido desvitalizado da ferida. É um método rápido e eficiente, escolhido quando há suspeita de infecção generalizada. No entanto, se o tecido alvo está profundo ou perto de algum órgão o paciente pode sofrer extrema dor. As vezes é necessário deixar algum tecido desvitalizado na ferida, sob o risco de atingir os tecidos viáveis. Neste caso, o processo deve ser repetido em outra sessão.
  2. Desbridamento mecânico: uma compressa umedecida com solução salina é deixada “overnight” sobre o leito da ferida, para aderir à escara. Quando a compressa é removida, o tecido desvitalizado é juntamente removido. É um dos mais antigos métodos de desbridamento. É bastante doloroso e freqüentemente não seletivo (retira tecidos viáveis também). Por esses motivos está em crescente desuso.
  3. Desbridamento químico: este método utiliza certas enzimas e outros componentes para dissolver a escara. É mais seletivo que o desbridamento mecânico, embora ainda haja certa remoção de tecidos viáveis.
  4. Desbridamento autolítico: aumenta a habilidade do corpo em dissolver a escara. O segredo dessa técnica está na manutenção do meio úmido, o que pode ser feito com a ajuda de uma série de curativos, que “prendem” a água na ferida. Este método é o mais seletivo de todos.

Embora alguns desses procedimentos causem dor, eles são geralmente bem tolerados pelos pacientes.

Referências Bibliográficas

1. Bale, S. “A Guide to Wound Debridement.” Journal of Wound Care 6 (Apr. 1997): 179-182.
2. Sieggreen, Mary Y., and JoAnn Maklebust. “Debridement: Choices and Challenges.” Advances in Wound Care, 10 (Mar./Apr. 1997): 32-37.